Moradores e atores de Camaragibe cobram retomada das obras no teatro da cidade
As obras no prédio destinado às apresentações de teatro estão paradas há quatro anos; de acordo com o presidente da Fundação de Cultura, as obras voltam a ser executadas no final de maio
Os moradores de Camaragibe, no Grande Recife, reclamam da falta de cultura no município. É que eles estão sem um espaço para lazer e para assistir a apresentações de teatro e os atores da cidade estão sem um lugar para trabalhar.
O local que deveria receber grandes espetáculos em Camaragibe virou um abrigo para cachorros. O prédio que foi doado pela prefeitura para funcionar como o único teatro da cidade está com as obras paradas há quatro anos. Para chamar atenção para o descaso que a classe artística do município vem sofrendo, muitos atores — que estão sem um lugar para trabalhar — resolveram protestar com faixas e cartazes.
“Existem inúmeras desculpas, uma delas é que existe problema com licitação e com verbas que demoram a chegar”, conta Anderson Silva (foto 3), ator há 12 anos.
Na cidade de quase 145 mil habitantes, os nove grupos de teatros existentes precisam recorrer a quadras, praças públicas ou a cidades vizinhas para se apresentar. Muitos desses grupos já foram premiados em festivais e considerados como os melhores do Estado, mas atualmente eles se encontram no esquecimento.
“Decidimos fazer grandes e pequenas ações para reivindicar junto à população e ao poder público a importância de se ter uma casa de espetáculos em Camaragibe”, afirma a atriz Eliz Galvão.
De acordo com os atores de Camaragibe, devido ao teatro fechado, mais se 20 peças deixam de ser encenadas durante o ano. E assim os moradores de Camaragibe ficam sem a única opção de lazer. Quem mora na cidade tinha costume de prestigiar grandes espetáculos, mas, com a falta do teatro, é preciso ir para outras cidades, como o Recife.
“Teatro é uma coisa fundamental para a cidade, faz parte da cultura do povo e é uma necessidade geral que toda a população vem reivindicando”, diz a professora Magna Bias.
A família da merendeira Ilcine França é apaixonada pelo teatro. Para ela, o que está acontecendo é uma falta de respeito com a cultura local. “Já faz quatro anos que o teatro está fechado. É só promessa e promessa, mas ninguém vê nada e não podemos assistir a nada”, afirma Ilcilene França.
RETOMADA DAS OBRAS
De acordo com o presidente da Fundação de Cultura, Daniel Passos (foto 4), os projetos das obras estão prontos, mas tiveram que ser reformulados, pois a proposta inicial foi modificada.
“Na verdade, inicialmente a gente pensava o teatro como um espaço mais simples e, a partir de uma visita com atores, produtores e artistas da cidade, vimos a necessidade de fazer um teatro de verdade, um espaço para receber grandes espetáculos. Daí a necessidade de readaptar e refazer o projeto, como melhorar o palco e a entrada do camarim para o palco, e ampliar o número de poltronas. Além disso, tivemos um problema com a demora da execução dos projetos pelas empresas contratadas. Mas os projetos estão prontos, falta apenas o orçamento”, explica.
Ele marcou no Calendário do NE TV o dia 30 de maio para as obras no local serem retomadas. Enquanto isso, será oferecido outro espaço como alternativa para os atores de Camaragibe.
“Temos o espaço cultural Penarol, que era um clube onde vários jovens se divertiam na década de 70 e 80. Agora estamos transformando-o em um espaço multimeios, onde vai funcionar biblioteca e haverá ambiente para pequenos esquetes de teatro, recital de poesias e lançamento de livros. É um espaço que a gente oferece para os produtores e artistas da cidade enquanto o teatro não fica pronto”, afirma Daniel Passos.
O presidente da Fundação de Cultura garantiu que, até o final de junho, o Penarol será entregue aos artistas de Camaragibe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário